Homem sentado em frente a estúdio de tatuagem, exibindo tatuagens no braço e usando camiseta Harley-Davidson.

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By Tatuagem Arte

Explorando a Tatuagem no Mundo Religioso: Desvendando Mitos e Realidades

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No mundo das tatuagens, a interseção com a religião revela histórias intrigantes e tradições milenares, como a prática de cristãos que usam tatuagens como forma de identificação e expressão de fé. Em locais sagrados como Jerusalém, famílias como os Razzouk perpetuam essa tradição por séculos, oferecendo símbolos que carregam significados profundos. Descubra mais sobre essa união entre arte e espiritualidade em Tatuagem Arte.

 

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A identidade dos cristãos expressa nas tatuagens.

Recentemente, estava em um diálogo com minha tia, amante das histórias da igreja católica. Imaginem quantas narrativas fascinantes se escondem por lá!

Um relato específico despertou meu interesse, especialmente pelo fato de trabalhar com tatuagens e nunca ter me aprofundado ou escutado sobre tal assunto.

Religiosos de tempos antigos se tatuavam, mas para eles havia uma razão específica. As freiras, por exemplo, conforme relatado por minha tia freira, faziam pequenas cruzes para identificação pessoal. Muitas ainda preservam essa tradição, já que, em várias partes do mundo, alguns se passavam por cristãos para adentrar templos sagrados ou conseguir acesso para más ações, e essa marcação permitia o reconhecimento entre as irmãs.

De acordo com ela, era comum que muitos cristãos procurassem tatuagens características no meio religioso.

Claro que fiquei profundamente curiosa a respeito, afinal, a tatuagem carrega um significado especial ou é algo particular para as pessoas envolvidas?

Há quem escolha símbolos para indicar condições de saúde, tornando-se útil em emergências, mas desconhecia o uso para identificação religiosa.

Em Jerusalém, reside uma família que, por mais de 700 anos, dedica-se a tatuar cristãos coptos e peregrinos do mundo todo que visitam a Terra Santa.

O estúdio de tatuagem da família Razzouk localiza-se nessa cidade, com Wassim Razzouk atualmente à frente do negócio. Ele, em entrevista à CNA – agência do Grupo ACI em inglês –, compartilhou sobre as origens e a relevância desta tradição.

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Somos coptos, originários do Egito, onde é tradicional tatuar cristãos. Meus ancestrais estavam entre aqueles que realizavam tatuagens nos cristãos coptos”, enfatizou.

A prática das tatuagens cristãs data dos séculos VI e VII na Terra Santa e no Egito. Com a passagem do tempo, essa prática espalhou-se entre comunidades cristãs das igrejas etíopes, armênias, sírias e maronitas.

Atualmente, algumas igrejas coptas utilizam a tatuagem para identificar cristãos, solicitando a exibição quando desejam entrar em um templo.

Com o início das Cruzadas em 1095, os peregrinos europeus adotaram o hábito de tatuar aqueles que completavam sua jornada à Terra Santa. Existem documentos históricos indicando que, por volta do ano 1600, os peregrinos continuaram essa prática, mantida até hoje.

A família Razzouk começou seu ofício de tatuagem sete séculos atrás no Egito. Após uma peregrinação a Jerusalém, decidiram estabelecer-se permanentemente lá, cerca do ano 1750.

“Nos últimos 500 anos, temos tatuado peregrinos na Terra Santa, com a tradição sendo passada de pai para filho”, relatou ele.

No passado, esses artistas cristãos produziam suas próprias tintas para tatuagem e utilizavam selos para marcar as imagens na pele.

Wassim optou por descontinuar a antiga fórmula familiar para tinta, que era uma mistura de fuligem e vinho, substituindo-a por corantes esterilizados. (Nunca ouvi sobre essa mistura exótica para tinta).

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Wassim Razzouk em seu estúdio.

Ele utiliza quase todos os 168 selos de sua família, que têm séculos de história. Diferente dos seus antepassados, que aplicavam a tatuagem diretamente na pele com o selo, Wassim traça o desenho do selo em um papel, coloca sobre a pele para transferir e depois tatua usando uma pistola.

Dentre os designs mais populares entre os clientes estão a cruz de Jerusalém – com pequenas cruzes em cada um dos quatro lados – além de imagens da Virgem Maria, São Miguel Arcanjo, a Ressurreição, cordeiros, rosas e a estrela de Belém.

É comum Wassim incluir no desenho o ano em que a pessoa completou sua peregrinação na Terra Santa.

Entre os clientes mais renomados da família Razzouk está o Patriarca Ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III, bem como diversos líderes cristãos da Etiópia.

O trabalho também atraiu cristãos de países onde enfrentam perseguições e peregrinos de nações com variados ritos cristãos.

Um peregrino dos Estados Unidos, Matt Gates, revelou à CNA que, embora possua várias tatuagens, aquela feita por Wassim “possui um significado especial”.

“Creio que não há maneira melhor de celebrar uma peregrinação do que neste estúdio”, afirmou.

Uma tradição em risco

Em 1947, durante o conflito pela independência de Israel, muitos palestinos que praticavam a arte das tatuagens cristãs abandonaram Jerusalém, incluindo a família Razzouk. Após o término da guerra, eles retornaram e se destacaram como os únicos na cidade que seguem praticando essa tradição secular, ao contrário de outras famílias que abandonaram a prática.

Há cerca de uma década, outro desafio ameaçou a continuidade dessa tradição familiar, pois Wassim e seus irmãos optaram por seguir outras profissões.
“Eu não queria fazer isso. Não me atraía tatuar e não queria assumir essa responsabilidade”, declarou Wassim, que decidiu estudar hotelaria.

No entanto, Wassim leu uma entrevista na internet em que seu pai, Anton Razzouk, falava sobre o negócio das tatuagens, o que gerou uma mudança de pensamento.

“Ele expressava tristeza, acreditando que a tradição e o legado de nossa família terminariam por minha decisão de não dar continuidade”, disse.

Nessa reflexão, Wassim não queria ser lembrado como a pessoa que interrompeu esse legado.

Assim, aprendeu a arte das tatuagens com seu pai e se aperfeiçoou em técnicas modernas.

Ele implementou melhorias no negócio, incluindo procedimentos de saúde, segurança e esterilização de instrumentos e tintas. Além disso, transferiu o estúdio dos becos do bairro cristão de Jerusalém para as proximidades da porta de Jaffa, uma área movimentada.

Hoje, Wassim trabalha ao lado de sua esposa Gabrielle e estão ensinando seus filhos a arte da tatuagem cristã, porém, sem pressioná-los a assumir futuramente o negócio da família.

Interessante, não é?

Um legado familiar no mundo da tatuagem, especialmente em um contexto religioso, onde sempre pensamos haver preconceito contra pessoas tatuadas; ou me enganei, ou isso levou muito tempo para ser aceito, gerando uma visão negativa dessa arte que tanto amamos.

Deixei abaixo o link de onde obtive informações sobre essa família, além de partes da conversa com minha tia freira, que sempre nos oferece algo interessante e desafia preconceitos que muitos pensam que todos os religiosos têm.

https://www.acidigital.com/noticias/por-que-ha-700-anos-existe-a-tradicao-de-tatuar-cristaos-em-jerusalem-20829

Gratidão pela conversa, tia!

Até breve pessoal =)

Jussara M

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